Muitas pessoas se afastam das igrejas devido ao enorme preconceito que a maioria dos que se posicionam como detentores de verdades absolutas tem com outros pontos de vista bíblicos sobre um mesmo assunto visto com outros olhos.
O que os evangélicos precisam é do novo cristão, de uma nova forma de seguir a Jesus que emerge dos escombros do cristianismo dividido por lutas teológicas, negligência das responsabilidades sociais e da tirania do capitalismo conservador da modernidade e não de cristãos que se acham os donos da verdade absoluta que praticam um evangelho individualista onde suas interpretações são as únicas e verdadeiras.
Como cristão, me vejo, ao falar do amor de Deus para alguém, em uma incansável luta para desconstruir barreiras entre a igreja e o mundo que foram criadas pela igreja e diante de um debate como este, vejo estas barreiras persistirem em serem reconstruídas.
Sempre me vejo encaminhando doentes a um hospital (igreja) onde todos os médicos e enfermeiros estão contaminados com uma epidemia e me sinto em um árduo trabalho de ministrar antídoto para esta epidemia.
Batismo nas escrituras é interpretado de diversas formas: lavagem executada por João Batista, lavagem cerimonial, descida do Espírito Santo, identificação com Cristo em sua morte e ressurreição, batismo do fogo do julgamento divino. Se dissermos que somos batizados ou que alguém será batizado, isto pode dar origem a diversas interpretações e não apenas a um ritual veterotestamentário onde era preciso lavar-se para tornar-se puro (Lv 13-15), consagrar-se (Lv 8:6), purificar-se (Salmo 51:2).
O baitsmo com água não foi invensão de João Batista e Cristo se batizou para cumprir com um ritual. Além de ser um ritual, o batismo de joão diferiu do batismo judaico não pela forma ritualística mas pelo seu objetivo que era preparar os caminhos para Cristo, igualando judeus e gentios através do ritual da lavagem, da purificação com águas visando o arrependimento de pecados.
A palavra batismo utilizada após a ressurreição de Cristo representa a descida do Espírito Santo, e, ao contrário das demais imersões bíblicas, esta imersão é única (Efésios 4:5)
A salvação vem pela graça, mediante a fé e não mediante obras ou sacrifícios ou por um ato ritualístico de batismo com água mas com o batismo com o Espírito Santo.(Tito 3:5; Efésios 1:13, 2:8-9; Hebreus 10:10; Romanos 3:24; 1Coríntios 1:17; Marcos 10:39). Então, se quer praticar um ritual de lavagem com água como João e alguns discípulos de Cristo o faziam (ele mesmo não o fazia), pouco importa se é batismo quando criança, quando adulto ou até mesmo se não se batiza com água.
A salvação vem pela graça e não pelo batismo com água. E se é pela graça, dom imerecido, não optamos.
Acho muito bonito o ritual de muitas igrejas cristãs de batizar, seja por imersão, aspersão, de crianças ou adultos, porém, o batismo verdadeiro ocorre antes do ritual ser praticado, se a pessoa confessa a Jesus como seu Senhor e Salvador, ela já foi batizada com o Espírito e já recebeu um novo coração.
Uma pessoa se converte não pelo batismo, mas por todo um processo que se dá no tempo determinado por Deus, tirando-a do estado de pecado e morte em que está por natureza e conduzindo-a para a graça e salvação em Jesus Cristo, tendo seu entendimento espiritual iluminado para que possa compreender as coisas de Deus, tendo sua vontade renovada para buscar o que é bom e serem atraídas eficazmente a Cristo de forma que esta pessoa vá a Cristo livremente, sendo dispostas pela graça de Deus.
Se estamos mortos por natureza e insensíveis a Deus, é preciso que Deus dê vida a quem está morto. Quando passamos a ter vida, é o momento em que somos batizados pelo Espírito Santo, e não o momento que somos batizados com água de forma ritualística.
O que indica que somos batizados não é o ritual, mas os frutos que damos. Sem obras, não temos frutos, se não temos frutos, não temos fé, se não temos fé, não fomos batizados pois a fé nos impulsiona a vivermos em processo de transformação e não de letargia. O que indica que somos batizados não é o lavar-se nas águas mas os frutos do Espírito.
Não sei porque ainda há pessoas que persistem em recriminar as diferenças de um mesmo credo: o Espírito Santo é quem batiza.
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