terça-feira, 6 de outubro de 2009

Manifesto

Lembrei hoje deste "manifesto" que escrevi a alguns anos e resolvi publicá-lo:

------------

Não devemos permitir que se esvaiam as nossas forças perante a injustiça que aos nossos semelhantes é imposta.

Não devemos aceitar a opressão aos nossos direitos. Não devemos tarjar de preto e tornar passado a história que se faz presente.

Erga a sua face, sacuda a poeira, contrarie as regras, conteste a realidade que se forma perante seus olhos que veem o que querem que veja. Abra seus olhos, veja a realidade que nos fazem ver pela janela. Lute e não cesse de viver. Ande e não desista de ao seu objetivo abraçar. Ande e não se canse, seja fulgurante. Não pare perante a geniosidade dos muitos que de fronte aos seus olhos se poem. Não viva da liberalidade dos poucos que tu chamas de tolos mas viva na liberalidade dos poucos que contigo se tornarão muitos. Reaja a realidade imposta a ti desde que nasceste pois a luta pela liberdade não está apenas no passado da história que diante de ti é deturpada mas está no presente, em você e no seu semelhante, nos que para você são menos importantes.

Tu ó Lheguelhé se tornará alguém se além de um ninguém conseguir ver um alguém.

24/01/03
wHiTe_PuNk

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Batismo de crianças ou pedobatismo - Parte II

Muitas pessoas se afastam das igrejas devido ao enorme preconceito que a maioria dos que se posicionam como detentores de verdades absolutas tem com outros pontos de vista bíblicos sobre um mesmo assunto visto com outros olhos.

O que os evangélicos precisam é do novo cristão, de uma nova forma de seguir a Jesus que emerge dos escombros do cristianismo dividido por lutas teológicas, negligência das responsabilidades sociais e da tirania do capitalismo conservador da modernidade e não de cristãos que se acham os donos da verdade absoluta que praticam um evangelho individualista onde suas interpretações são as únicas e verdadeiras.

Como cristão, me vejo, ao falar do amor de Deus para alguém, em uma incansável luta para desconstruir barreiras entre a igreja e o mundo que foram criadas pela igreja e diante de um debate como este, vejo estas barreiras persistirem em serem reconstruídas.

Sempre me vejo encaminhando doentes a um hospital (igreja) onde todos os médicos e enfermeiros estão contaminados com uma epidemia e me sinto em um árduo trabalho de ministrar antídoto para esta epidemia.

Batismo nas escrituras é interpretado de diversas formas: lavagem executada por João Batista, lavagem cerimonial, descida do Espírito Santo, identificação com Cristo em sua morte e ressurreição, batismo do fogo do julgamento divino. Se dissermos que somos batizados ou que alguém será batizado, isto pode dar origem a diversas interpretações e não apenas a um ritual veterotestamentário onde era preciso lavar-se para tornar-se puro (Lv 13-15), consagrar-se (Lv 8:6), purificar-se (Salmo 51:2).

O baitsmo com água não foi invensão de João Batista e Cristo se batizou para cumprir com um ritual. Além de ser um ritual, o batismo de joão diferiu do batismo judaico não pela forma ritualística mas pelo seu objetivo que era preparar os caminhos para Cristo, igualando judeus e gentios através do ritual da lavagem, da purificação com águas visando o arrependimento de pecados.

A palavra batismo utilizada após a ressurreição de Cristo representa a descida do Espírito Santo, e, ao contrário das demais imersões bíblicas, esta imersão é única (Efésios 4:5)

A salvação vem pela graça, mediante a fé e não mediante obras ou sacrifícios ou por um ato ritualístico de batismo com água mas com o batismo com o Espírito Santo.(Tito 3:5; Efésios 1:13, 2:8-9; Hebreus 10:10; Romanos 3:24; 1Coríntios 1:17; Marcos 10:39). Então, se quer praticar um ritual de lavagem com água como João e alguns discípulos de Cristo o faziam (ele mesmo não o fazia), pouco importa se é batismo quando criança, quando adulto ou até mesmo se não se batiza com água.

A salvação vem pela graça e não pelo batismo com água. E se é pela graça, dom imerecido, não optamos.

Acho muito bonito o ritual de muitas igrejas cristãs de batizar, seja por imersão, aspersão, de crianças ou adultos, porém, o batismo verdadeiro ocorre antes do ritual ser praticado, se a pessoa confessa a Jesus como seu Senhor e Salvador, ela já foi batizada com o Espírito e já recebeu um novo coração.

Uma pessoa se converte não pelo batismo, mas por todo um processo que se dá no tempo determinado por Deus, tirando-a do estado de pecado e morte em que está por natureza e conduzindo-a para a graça e salvação em Jesus Cristo, tendo seu entendimento espiritual iluminado para que possa compreender as coisas de Deus, tendo sua vontade renovada para buscar o que é bom e serem atraídas eficazmente a Cristo de forma que esta pessoa vá a Cristo livremente, sendo dispostas pela graça de Deus.

Se estamos mortos por natureza e insensíveis a Deus, é preciso que Deus dê vida a quem está morto. Quando passamos a ter vida, é o momento em que somos batizados pelo Espírito Santo, e não o momento que somos batizados com água de forma ritualística.

O que indica que somos batizados não é o ritual, mas os frutos que damos. Sem obras, não temos frutos, se não temos frutos, não temos fé, se não temos fé, não fomos batizados pois a fé nos impulsiona a vivermos em processo de transformação e não de letargia. O que indica que somos batizados não é o lavar-se nas águas mas os frutos do Espírito.

Não sei porque ainda há pessoas que persistem em recriminar as diferenças de um mesmo credo: o Espírito Santo é quem batiza.